foi bom pra mim ver a galera conhecida!
espero q seja pra vcs também!
bju
15 de abr. de 2008
9 de dez. de 2007
A mulher invisível
Os shoppings centers são lugares conceituais. Basta dizer ‘vou ao shopping’, assim, intransitivamente, porque são todos iguais.
Numa de minhas idas ‘ao shopping’ - experiências quase sempre traumáticas - observei, enquanto tomava um café, o trabalho dos homens e das mulheres que fazem a limpeza das praças de alimentação. Atentei para uma mulher de seus, talvez, trinta e tantos anos, de uniforme, pano na mão e toca na cabeça. Elas transitam fantasmagoricamente por entre as mesas, recolhem o lixo deixado pelos ‘consumidores’, passam o pano sobre a mesa e saem, sem trocar palavra com ninguém somem por entre outras mesas. Olhei em volta e percebi que somente eu a enxergava - depois soube que estava enganado.
Soube, da boca da trabalhadora que se via como faxineira, que é proibida qualquer aproximação entre ela e qualquer ‘consumidor’, - ela é treinada para passar despercebida, ignorada, desconhecida. - É uma regra capital, a primeira coisa que aprendem. Contudo, como eu disse, meus olhos não eram os únicos a segui-la em suas incursões discretas por entre as mesas. Segundo ela, há seguranças cuja função, entre outras coisas, é vigiá-las, garantir que elas cumpram a sua função de ‘mulheres invisíveis’ que limpam o ambiente.
Para mim, as sensações que esses pensamentos ensejam são múltiplas e variadas, ligadas às formas de existência obtusas que a sociedade impõe à humanidade. Resumo, porém, a questão a um sentimento acerca do trabalho: durante séculos a classe detentora do poder pregou a dignidade do trabalho como forma de aplacar os pobres, e acabou, ela mesma, acreditando em sua doutrina, ainda que não a praticasse sob as mesmas condições dos mais pobres. Daí provém uma romantização do trabalho e uma demonização do ócio como pai de todos os vícios. Mas na realidade mais simples e imediata, os trabalhadores encaram o trabalho como deve ser encarado, uma forma de ganhar a vida, e é do lazer que retiram, aí sim, a felicidade que a vida lhes permite desfrutar. E nos shoppings centers, onde tudo é um cenário, é proibido lembrar aos trabalhadores que estão lá em busca de lazer, que existem trabalhadores que estão lá em busca de sobrevivência. Não se pode estragar o espetáculo!
Por Fabricio Kc
6 de dez. de 2007
Veja a entrevista do ator Fábio Lago.
O ator Fabio Lago, o traficante "baiano" do filme Tropa de Elite bateu um papo com o pessoal do Blog do Gusmão.
Vale a pena dar uma espiada.
18 de nov. de 2007
Veja, Che Guevara e Jon Lee Anderson, seu biógrafo
... É, com efeito, uma esquerdista típica: quando essa gente não está praticando assassinatos, está justificando homicidas. Quando não está fazendo uma coisa ou outra, sugere aos outros o suicídio. Em qualquer dos casos e em qualquer dos tempos da história, as esquerdas têm um compromisso essencial com a morte.
Reinaldo Azevedo, no seu nada mixuruca blog no portal Veja.
Um dos maiores biógrafos do ícone left-political latino-americano Che, Jon Lee Anderson, - que é jornalista da tradicional e sólida revista americana New Yorker - se manifestou contra o jornalista de Veja que fez a matéria, o tal Diogo Schelp. Em carta, o americano questionou a qualidade jornalística de Veja (isso, apesar de não ser novo, é notícia!).
Vejam a história em Pedro Doria, que começou tudo, no Imprensa Marrom, que comentou o fato e lá no Reinaldão , que embora não valha a pena, é engraçado !
5 de nov. de 2007
Não é Polícia que manda
Escrevo em resposta a ‘carta ao leitor’ sobre o filme Tropa de Elite, publicada por Marcel Leal no dia 27 de outubro, no site do Jornal A Região. Eu também assisti o filme (ótimo, por sinal), e um mínimo de sensatez me obriga a rascunhar algumas palavras.
O filme em si não é reacionário. Mas o ponto de vista do Capitão Nascimento é - além de reacionário - taxativo, limitado e violento. A proposta do filme, no entanto, é outra. Defende claramente a idéia de que o comportamento do homem resulta de circunstâncias (e não só do caráter), inclusive o do próprio capitão da tropa, que, dominado pelo stress da ‘guerra’, sucumbe à violência abusiva nas favelas e ao autoritarismo berrado dentro de casa.
Marcel Leal, contudo, defende que “a maioria (dos bandidos), quase todos, não tem jeito. Nasceu para isso”, concluindo que são criminosos irrecuperáveis. É preocupante que o Estado decida que matar pessoas é uma boa forma de punir o crime. Mas é trágico que alguém aceite e, pior, defenda que a polícia deve fazê-lo, independente do Estado, que é regido por leis. Dizer que uma pessoa nasceu pra ser bandido é recorrer a técnicas e idéias retrógradas e ultrapassadas de perfis sociológicos e psicológicos do criminoso, o que justificaria medidas extremas, caminhando, quem sabe, para a vigilância do ‘potencial’ criminoso antes mesmo dele cometer o crime – porque, pressupondo que nasceu para o crime, pressupõe-se que irá cometê-lo.
E tal pensamento surge numa dita ‘democracia’ avançada como a nossa - como seria sob as asas de uma ditadura a aplicação dessas idéias em nome da segurança pública? Pé na porta e tapa na cara!
Marcel Leal pergunta ainda: “Por que o cara que matou, roubou, estuprou, vendeu drogas para nossos filhos deve ter vida boa?” – Um cara que mata, rouba e estupra, óbvio, tem que ser punido. Mas não para saciar a ânsia de ‘vingança social’, e sim para mostrar que existe lei em um país, para vivermos minimamente em paz. A criminalidade está relacionada, (também, mas não somente) às adversas condições sociais do país, mas também a impunidade, esta que, aliás, estimula a corrupção que faz crescer as desigualdades sociais num desumano círculo vicioso. Mas, enfim, porque o BOPE só mata na favela, sob os aplausos de Marcel Leal e Luciano Huck? E até parece que os tais caras, que roubam, matam e estupram têm vida boa aonde quer que seja...
Mas fica outra pergunta no ar: se esses caras vendem drogas para nossos filhos, por que nossos filhos compram drogas desses caras? É trágico também não saber o que se passa de verdade em seu país, em sua cidade, ou mesmo em sua família. Sem conhecer a verdade, sem observar com cuidado e clareza, livre de preconceitos e de soluções simplistas, é impossível resolver o problema. Estaríamos condenados a repetir os mesmos erros históricos de sempre.
Por fim, é claro que todos nós queremos acabar com o crime, e essa vontade é inerente ao ofício da polícia, inclusive buscando impedir a possibilidade mesma do crime. Mas por isso mesmo não é o papel da polícia fazer as leis – teríamos uma vida muito pouco interessante se assim fosse... Aplaudir e ter como solução a ação violenta e assassina da polícia contra os ‘bandidos irrecuperáveis’ é apostar na repressão como forma de organização social, e já é visível que as até aqui ineficazes políticas públicas de segurança só fazem crescer a necessidade de investimento em estrutura policial e construção de presídios. Assim chegamos a uma estrutura de segurança pública hipertrofiada, com elite e elites da elite das tropas, cujos policiais já não consideram o risco do cidadão, mas apenas o do bandido; e os dirigentes responsáveis só consideram os seus próprios riscos políticos.
Em tempo, eu, leitor do A Região, vi uma nota de Marcel Leal criticando ofensivamente os alunos do curso de Comunicação Social da UESC, porque estes lhe enviaram um convite para a abertura da Semana de Comunicação, só que esqueceram de indicar o dia do evento, que foi acrescentado a mão, de caneta. E se isso fosse crime? Mas não é. Marcel Leal não cogitou, talvez, que o convite poderia ser apenas uma metáfora emblemática: a ‘falha’ pode ter sido uma forma sutil de dizer algo.
